Cover, Autoral ou Intérprete: o que é melhor para minha carreira?  Existe uma polêmica grande em relação a esse assunto, criando até um certo… vamos dizer… antagonismo nas redes sociais.

Essa polêmica envolve músicos, bandas, donos de bares e até os fãs e ouvintes. Mas afinal, existem mesmo vantagens e desvantagens para o artista em cada opção?

É claaaaaro que existem, mas cada estilo tem seus prós e contras! Sim, nada de radicalismos, vamos tentar ser… hummmmm… ponderados. Isso!

Minha experiência pessoal sempre foi de fazer um mix de músicas próprias, covers e versões. Isso desde os tempos de faculdade. Não pensava muito no assunto, simplesmente fazia e pronto!

Porém, hoje existem muitas bandas para pouco espaço, e daí vem essa disputa que considero meio insana, mas como vivemos na era dos rótulos, faz parte.

Vamos falar um pouco dos prós e contras dos 3 estilos mais populares hoje entre músicos iniciantes, cover ou tributo, música autoral e interpretação. Até porque músicos eruditos se encaminham geralmente via escola para sua aspiração, seja dar aulas, compor ou fazer parte de uma camerata ou orquestra.

MUSICA COVER OU TRIBUTO

A tendência natural de quem está começando é se comparar com seus ídolos, e lógico, tentar imitá-los.

A sensação de tocar algo tão bem – ou pelo menos meio parecido – quanto ao cara que você idolatra dá uma sensação de super-poder.

Aquele solo, aquela canção que emociona você ou a sua namorada, aquela sonzera que você ouvia no carro com seus amigos, de repente acontece em suas mãos e na sua voz! É inebriante!

Daí para achar mais uns malucos e montar uma banda é um pulo. Quanto mais nesses tempos de tutoriais no Youtube, Google e equipamentos acessíveis em lojas ou pela internet, dá até pra arrumar uns equipamentos bem parecidos!

O que eu vejo de vantagens em uma banda cover: primeiro, tentar copiar gente boa sempre vai fazer você aprimorar sua técnica e isso é fundamental para ter destaque, tocar o mais parecido possível.

É legal também porque muitos bares, clubes e casas de shows preferem esse tipo de banda, já que o público interage mais facilmente, pois já conhece as músicas. Então agrada mais quem vai pra fazer farra sem compromisso.

O que eu vejo de desvantagens em um trabalho cover? Tem que estudar, se não é sua praia passar horas repetindo a mesma passagem musical ou solo, , se você não gosta de estudar, fuja loco! Ou você corre o risco de ter uma carreira musical muito curta… ou nem ter!

A concorrência é feroz e uma galera toca de graça ou a troco de uma porção de fritas com cerveja, e não adianta reclamar, o mundo é assim e não vai mudar.

Existem muitas bandas de cover que tocam por hobby ou pela aventura de subir no palco, as vezes até abrindo para uma banda mais conhecida, e não fazem questão de cachê e sim de atenção.

Ah, a possibilidade de ver seu trabalho crescer e viver só de shows é mínima, a menos que você evolua para um tributo, passando a usar figurinos, instrumentos e até cabelos e maquiagens dos originais.

Quanto mais fiel, mais chances de receber um bom cachê e ter uma boa agenda. Afinal, na noite, toda fantasia pode ser realidade (risos).

MUSICA AUTORAL

Antigamente conhecida como música própria, a música autoral requer muito mais energia e dedicação durante a sua carreira. Afinal você está tocando algo que ninguém conhece e geralmente nem faz questão de conhecer, desculpe a franqueza.

E se ninguém fora a sua mãe, namorada(o) e melhor amigo, te entende, o que fazer para ser aceito? Bom, vamos partir do princípio que música boa é como comida boa, sempre tem quem consuma. O problema é que o autor SEMPRE acha que sua música é boa, e nem sempre isso é verdade.

Saber se você é realmente bom ou não é o desafio do compositor-arranjador. Ele não precisa ser um grande músico (ei, isso não é desculpa para ser ruim), pois toca aquilo que faz. Mas muita gente boa correu a vida toda atrás de um hit e não rolou.

Sabe qual é a explicação na minha humilde visão? Tem que ter estrela. Na música autoral só talento não basta. Tem que falar o que o público entende e ter carisma, saber fazer a gestão… resumindo, é pra poucos. Muitos compõe, mas poucos chegam a ser Lulu Santos.

O que vejo de vantagens num trabalho autoral?

Bom, pra começar, ouvir alguém cantando a música que você criou e/ou arranjou literalmente não tem preço. Pira o cabeção!

Acordar, escrever alguma coisa e de repente ouvir isso numa rádio ou ir numa festa e pedirem pra tocar suas músicas – e ainda por cima saberem a letra e cantarem junto- é pra matar o sujeito de satisfação, haja humildade! Já passei e passo algumas vezes por isso e acreditem, compensa praticamente qualquer esforço.

Outra vantagem é que música autoral realmente pode dar dinheiro para sustentar uma carreira, seja via direitos autorais, venda de canções ou shows, e se você tem público, através da venda de ingressos e participações em eventos maiores.

Você também pode ceder seus direitos ou coisa parecida à algum intérprete mais famoso e faturar uma boa grana. Enfim, compor é uma arte e como toda arte quando você acerta rola uma boa grana.

O que vejo de desvantagens num trabalho autoral?

Pra começar é um caminho mais difícil, faltam palcos e público ao iniciante, e não adianta ficar mendigando apoio na cena local e xingando dono de bar nas redes sociais, é deprimente e pega muito mal.

Falando em redes sociais, se você acha que publicar uns posts no Facebook, umas fotos no Instagram e umas músicas gravadas ao vivo (mesmo em estúdio, volto a repetir) no Youtube é o suficiente, esqueça.

Música autoral precisa de produção esmerada, feita com perfeição pra se destacar em meio ao turbilhão de ‘criatividade’ sem qualidade que vemos hoje. Foi-se o tempo da demo. Jogou na net e se for ruim, queimou-se o filme do candidato a artista.

Outra desvantagem é que o investimento pode ser alto no longo prazo, e quase sem retorno. E o prazo pode ser bem longo mesmo (risos). Tem que ter paciência, insistência e gestão.

Autoral não é para os fracos. E outra coisa, o músico autoral tem que se unir, se organizar e não ficar sacaneando um ao outro. Já é difícil a empreitada, e sem união a coisa quase impossível.

ENFIM, O INTÉRPRETE

Esse é o músico privilegiado, porque pra ser intérprete tem que ter nascido com muito talento.

O intérprete é aquela figura que quando pega o violão todo mundo presta atenção. São as Sandra de Sá, Cássia Eller, Tim Maia (que também era compositor como muitos intérpretes), Ney Matogrosso, Elis Regina… vixe, a lista é grande.

Não existe intérprete sem muita afinação natural e muito talento. O intérprete é um ser abençoado pelos deuses da música e que empresta seu brilho fazendo versões e arranjos próprios para canções dos outros.

Não tem muito o que dizer, se você tem talento é uma bela chance de carreira, e se junto você tem carisma e uma boa gestão, é meio caminho andado. Se você é não é muuuito afinado e é desajeitado no palco, melhor ser mais humilde e procurar outra opção. Ou fique mentindo pra si a vida toda.

Bom é isso, obrigado mais uma vez! E se você gostou ou não gostou deste artigo, coloca nos comentários abaixo, que eu vou ler e responder.

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