Você está pronto para viver de música? Sério. Pensa aí. Se você estourasse agora um lançamento, estaria pelo menos um pouquinho preparado? A maioria dos músicos e artistas não está. Fizemos uma entrevista com Bruna Campos, proprietária de uma editora musical, das mais importantes do Brasil.

Viver de música exige preparação. Muita preparação. Enquanto você se pergunta e resmunga do porquê tanta música “desconhecida” faz sucesso e do porquê VOCÊ não consegue ir em frente, novos artistas buscaram conhecimento e estão preparando um grande lançamento.

Conversamos com a Bruna Campos, proprietária da Rede Pura. A Rede Pura é uma editora musical que cuida das obras de compositores de músicas como “Você de Volta” com Maria Cecília & Rodolfo, “Meteoro” com Luan Santana, “Camaro Amarelo” com Munhoz & Mariano, entre outras.

Nessa entrevista, falamos de viver de música, dificuldades e desafios relacionados a direito autoral, além de um pouco da história incrível e experiência da Bruna, formada em Direito, Jornalismo e fundadora da Rede Pura, atendendo mais de 2.000 compositores no Brasil.

Além disso, a Bruna criou um canal no Youtube que já conta com milhares de inscritos, e a intenção é descomplicar quando falamos de ECAD e direito autoral em geral.

Entrevista com Bruna Campos
A dupla Maria Cecília & Rodolfo estourou com a música “Você de Volta”, Bruna Campos estava presente.

 

Bruna, fale um pouco de você. Conte sua história para o pessoal te conhecer melhor…

“Oi, meu nome é Bruna Campos. Tenho 38 anos recém completados. Como boa libriana eu sou a promoter do zodíaco. Gosto de me dar bem com todo mundo, tratar todo mundo bem e ser gentil.

Sou formada em direito, jornalismo…e há 10 anos eu trabalho com a Rede Pura, mas com direito autoral é um pouco mais porque antes da Rede Pura eu trabalhei em outra editora…antes de ter a Rede Pura eu trabalhei em um outra editora por 4 anos. E é isso…

…Ah, antes de montar a editora, eu trabalhei um pouquinho com assessoria de imprensa e assessoria jurídica para alguns artistas. Dentre eles João Bosco & Vinícius.

E quando eu decidi montar a editora foi assim uma coisa ao acaso. Porque eu já tinha trabalhado em uma editora e eu decidi montar a Rede Pura e começar trabalhando com ela aos poucos.

Então a gente tem a Rede Pura desde 2005…comemoramos 10 anos esse ano que passou…e depois que eu montei a Rede Pura, ela demorou um pouquinho para engatar, mas quando a gente conseguiu estourar a primeira música de sucesso no Brasil, que foi Você de Volta, de autoria do Marco Aurélio, as coisas fluíram e a Rede Pura cresceu bastante depois desse grande sucesso aí.”

 

Seu canal no Youtube tem ajudado muitos músicos, compositores e artistas com dicas de direito autoral, por que decidiu começar ele?

“Pra te falar bem a verdade, eu comecei o canal não foi falando sobre direito autoral, mas porque eu estava muito chateada com um acontecimento que houve com alguns dos meus compositores.

Relacionado a um empresário do meio musical que disse que ‘se os compositores começassem a cobrar o que eles quisessem a respeito das músicas, isso ia deixar o mercado muito arenoso para os artistas’.

Eu achei esse comentário da parte dele muito infeliz. E eu comecei a perceber que o compositor, que é uma pessoa tão importante na cadeia toda do direito autoral, tá sendo muito rebaixado, muito menosprezado. Ele não é nem considerado nas planilhas de gastos dos projetos, as vezes.

Entrevista com Bruna Campos

E eu, com esse problema com esse empresário, tava muito brava. Aí eu resolvi gravar um vídeo. Que realmente foi o primeiro vídeo do canal, que o pessoal começou a acessar e se inscrever no canal  pra receber as notificações.

Foi um vídeo que falei basicamente, que os compositores tem de dar valor ao trabalho deles, não importa o que os empresários dos artistas digam.

No primeiro vídeo a gente falou sobre sonho. Mas assim, o que me fez começar o canal não foi nem pra falar a respeito de direito autoral não. Foi mais pra dar um toque nos compositores, e dizer pra eles que eles tem de colocar valor no trabalho deles, não pode deixar as pessoas colocarem valor no trabalho.

Daí por diante, eu achei que seria interessante. Já que muitas pessoas tinham assistido e se inscrito no canal em pouco tempo, eu começar a falar e orientar tanto os compositores, como os artistas e músicos acompanhantes a cuidarem do direito autoral e conexos no dia a dia.

Tem muita coisa. Mesmo tendo editora e prestando esse serviço (logicamente, por certo tempo eu dei essa orientação somente ao meus compositores), eu acho que tem algumas informações que se eu disponibilizar no canal, com a confiabilidade que eu vou passar, eu posso trazer mais compositores para a editora e deixar nosso segmento mais forte.

Hoje o pessoal tem dado muito valor para a produção, pros jabás, basicamente. E pouco valor pro cara que começa tudo isso, que é o compositor. Sem a música você não tem um projeto, você não tem artista, não tem uma música para trabalhar na rádio, pra produzir…você não tem nada.

Então eu acho que o compositor é quem dá início à toda essa cadeia de profissionais e de negócios…de show business.”

a maior dificuldade do músico é essa: Achar que por fazer música, ele não precisa estudar e conhecer os seus direitos. #BrunaCampos Click To Tweet 

Na sua opinião qual a maior dificuldade que o músico encontra hoje com relação ao direito autoral?

“A maior dificuldade e o maior inimigo do músico hoje em dia é ele mesmo, na minha opinião. Porque em qualquer profissão, para você saber como funcionam as coisas, você estuda.

E como a música é uma coisa muito…muito…é arte! Então, o artista acha que como ele está fazendo arte, ele não precisa estudar, não precisa se informar, não precisa entender como funciona os seus direitos.

E é necessário! Porque sempre que você não estuda a respeito de alguma coisa, não estuda como funciona o ECAD, por exemplo, que é uma entidade, que tem legitimidade, que foi criado através de uma lei federal. É a entidade que faz o pagamento dos direitos autorais.

Toda vez que você não conhece como funcionam as coisas, você coloca o seu dinheiro e a gestão disso na mão de terceiros. Então quanto mais informado você estiver, melhor você vai saber como funcionam as coisas e melhor você vai saber quem cobrar.

Então acho que a maior dificuldade do músico, hoje, é essa. Achar que por fazer música, por viver de arte, ele não precisa estudar e conhecer os seus direitos.”

 

Qual a solução para esse problema?

“A solução é se informar mais. Tem que entender cada vez mais como funciona. Porque você sabe que temos hoje várias sociedades no Brasil. E elas ditam as regras que o ECAD tem que atender.

o ECAD, na verdade, não determina nada. O ECAD é um órgão, como a própria sigla diz, é um escritório central de arrecadação e distribuição. Ele arrecada o dinheiro e distribui pros titulares.

Quem determina como isso será feito? As sociedades que fazem reuniões, e decidem TUDO e falam: ‘ECAD, você vai fazer assim, assim e assado’.

O ECAD não tem autonomia para fazer nada fora do que foi determinado pelas sociedades, em assembléias e em votação.

Então, se as sociedades determinaram que tal procedimento é assim e os titulares acharem que tá errado, nós como titulares de direito autoral, músicos, artistas e compositores, temos que reclamar para as sociedades.

Eu acho que a solução para todo esse problema em relação ao direito autoral, é que os titulares sejam mais ligados as suas sociedades. Cobrem mais das suas sociedades essa atuação. E que ela seja benéfica para todo mundo.”

 

Onde você acredita que o músico pode buscar informação?

“O músico TEM que buscar informação, além do meu canal, lógico (risos), na sociedade que ele é filiado.

A sociedade recebe um percentual da arrecadação dele. Esse dado está atualizado no site do ECAD, porque com a nova lei dos direitos autorais, esses percentuais mudaram um pouco…agora é 5,36%..

Entrevista com Bruna Campos
Tabela de distribuição do ECAD e sociedades de gestão coletiva

Mas então, o músico precisa cobrar da sociedade dele todas informações que ele precisar. Porque o ECAD não faz atendimento ao público. Como eu disse, o ECAD só arrecada e distribui.

Então, o músicos tem que buscar na sociedade dele. ‘Ah, o cara que atende lá na sociedade não soube informar.’

Muda de sociedade! Tá!?

O músico pode mudar de sociedade a hora que ele quiser.

 

De 0 a 10, Que importância você daria para o music business em relação ao lado artístico?

“Uma pergunta beeem capciosa essa hein (risos). Primeiro que eu acho que as pessoas que trabalham com música e fazem a máquina girar têm muita importância.

Aquela pessoa que define qual vai ser a música de trabalho, a que define qual música o artista vai cantar, qual a certa, que caminho o artista vai trilhar para o objetivo final que é fazer sucesso…

…Hoje em dia, o problema é que o público não está dando muita importância pro lado artístico. A gente vai em muitos bares e vê as pessoas bebendo de costas para o palco. Isso é triste.

Aí entra a importância das pessoas que estão por trás do artista. De fazerem desse limão, uma limonada. Tem que fazer o cara ganhar.

Porque olha…existe uma dificuldade muito grande do artista, de fazer a música que ele trabalha ser vinculada com a imagem dele. Muitas duplas demoraram mais de 10 anos para fazer isso.

O próprio João Bosco & Vinícius, com quem eu trabalhei, quando lançaram “Quero Provar Que Te Amo”, do lançamento até eles serem reconhecidos num shopping para tirar foto com fã, foi uma década.

Marcos & Belutti mesmo, fez um trabalho belíssimo com a “Perdoa Amor” e foram (o público) associar a voz com a imagem deles na “Domingo de Manhã”.

As pessoas que estão por trás disso, fazendo esse trabalho, de associar a imagem do artista ao trabalho dele, são MUITO importantes.

Você quer uma nota de zero a dez (pensativa)…acho que tem que ter 50% de talento e 50% de negócio (então é 5).

Não dá pra ter só talento e não dá pra ter só um bom escritório. Acho que é metade de cada um.”

 

O que faz um músico se destacar? Muito talento? Uma mistura equilibrada de talento e gestão?

“O músico em si tem que ser muito bom. Ele tem que ser preciso. Então, realmente, para se destacar, ele tem que ter talento.

Ele tem que tocar uma bateria no andamento, um violão no andamento. Se ele for um músico de estúdio, ele precisa aquele músico que economiza em horas de estúdio para o contratante.

Se ele é músico de palco, ele tem que ser um cara responsável. Que passa som, que chega na hora. E tem que ser profissional.

O artista, para se destacar, é o que já falamos. As vezes, ele não precisa nem ser talentoso. Mas se ele tiver carisma, tiver vocação para ser artista…digo isso, muito porque tem gente que tem talento mas não tem vocação para ser artista.

É aquele cara que canta bem, que quando ele canta você tem vontade de chorar. Mas na hora que você coloca ele para trabalhar com música, ele é irresponsável, ele falta aos compromissos, ele não vai falar com a rádio, ele não acorda na hora certa, não almoça com os contratantes…

Ele acha que é um saco atender as rádios. Acha que é um saco atender contratante…sabe essas questões?

Ele só quer a parte boa de subir no palco e cantar. Ele não quer a parte do trabalho, do bastidor. Aquele momento que o fã não vê, em que você não está em cima do palco. E que faz TODA diferença no seu projeto.

A hora que você vai se relacionar com a pessoa que vai contratar seu show, a hora que vai se relacionar com a pessoa que vai tocar sua música.

Acho que o que faz um artista se destacar, é ter muito profissionalismo. É ele querer muito isso, porque tem muito trabalho. E ter vocação para ser artista. Não basta ter só talento.

Precisa ter essa mistura equilibrada MESMO. De talento e de gestão. Além de o cara ser responsável, ele precisa ter uma boa equipe. Que vai trabalhar bem a logística dos shows dele, que vai trabalhar bem os compromissos dele. Que não vai sugar o cara igual uma laranja.

O cara trabalha tanto que chega nos últimos shows do mês, ele não tem voz, faz um show meia boca. A equipe, o empresário têm de ter essa noção de que o artista precisa descansar.

E o artista também tem que ter essa noção de que é um profissional. Não pode ficar saindo dos shows e ficar indo para as moagens. Aí tem show no dia seguinte, e ele tá sem voz…

Isso tudo aí, ainda mais agora que a internet tá solta, todo mundo tá no show e já filma, faz uma live. 

...do lançamento até eles serem reconhecidos para tirar foto com fã, foi uma década. #BrunaCampos Click To Tweet

Quando você pisa na bola, daqui 1 minutos isso tá na internet, ou imediatamente. Cada vez mais os artistas precisam cuidar das suas imagens.

E os músicos também. Porque o artista está ali cantando, e o músico está no palco junto. Ele faz parte desse projeto. Não pode ser um cara carrancudo, que não dá um sorriso, que não gosta de passar som, que não gosta de nada e fica reclamando do cachê.

Fica reclamando que não tem vida. Porque o músico, assim como o artista, não tem muita vida mesmo. As vezes fica lá, 3 ou 4 meses fora de casa. Ele tem que ter certeza que é isso que ele escolheu pra vida dele.”

 

Vamos falar um pouco da Rede Pura. De onde surgiu a ideia?

“Eu já tinha trabalhado em uma editora. E eu gostei muito. Aprendi muitas coisas e inclusive ajudei a montá-la.

E depois eu fui trabalhar com alguns artistas de Campo Grande. Fazendo assessoria de imprensa e assessoria jurídica. Fazendo contratos de show, releases, atendendo Flogs (lembra dos flogs)?

Respondia fãs, e-mails…aí eu resolvi montar a editora. Meu pai tinha uma empresa e ele resolveu fazer uma alteração contratual nessa empresa e eu falei: ‘Coloca a editora aqui, aos poucos eu vou trabalhando com ela.’

E aconteceu que eu fui trabalhando aos pouquinhos com ela, desde 2003. Comecei a mexer bastante em 2005. E aí fui editando uma música aqui, outra ali.

Estudando muito, porque só tinha 2 editoras em Campo Grande na época. E todas as editoras estavam concentradas no eixo Rio-São Paulo. Não tinha muita literatura pra ler a respeito, então eu viajava pra São Paulo, ia muito nas bibliotecas para ler sobre o direito autoral. Mas não encontrava livros.

Mas fui estudando. Até que a nossa primeira música estourou. Aí tive que me virar nos 30. Imagina, a Maria Cecília & Rodolfo, com 7 meses de dupla, estouraram uma música em nível nacional.

Eu estava ainda embrionária em termos de editora. E estudei, estudei, estudei, pra cuidar dos direitos autorais da “Você de Volta”, que do dia pra noite começou a ter execução e visualização.

E a Rede Pura cresceu a medida que a internet cresceu. Nossos sucessos todos estouraram no Youtube. Nossa segunda música mais tocada foi “Meteoro”, do Sorocaba com o Luan Santana.

E o Luan foi um artista que nasceu da internet. Nasceu no MSN, no e-mail. O gurizinho de Araguari que mandava o MP3 dele pro Brasil inteiro e da noite pro dia ele estourou.

Aí depois dessas duas músicas, vieram outros sucessos que a gente administrou, como “Paga-pau”, “Amar Não É Pecado”…”Camaro Amarelo”, “Jejum de Amor”, “Jogado na Rua”, “Sapequinha”…e nós já fomos a 9ª maior editora do Brasil. Hoje estamos entre as 20 maiores.

 

Qual foi sua maior dificuldade na construção da Rede Pura?

“Como a gente já falou. A dificuldade era ter material pra estudar. Campo Grande não tinha. Não tinha nem literatura. Tinha que ir em bibliotecas e livrarias comprar e ler muito.

Nem advogado especialista em direito autoral tinha em Campo Grande. Meu pai é advogado, mas o escritório dele não trabalha com isso na época. Ele me ajudou muito, porque ele teve que estudar junto comigo pra conseguir montar um jurídico bom.

Porque uma boa editora tem um bom jurídico. E um jurídico a sua disposição, que é uma coisa que geralmente as editoras não tem. E quando tem um problema, tem que ligar pro advogado, que cuida além disso, de outras coisas pra empresa editora.

Nós não. Nós temos os nossos advogados dentro do prédio. E se eu tiver um problema agora, se o compositor me mandar uma mensagem agora no Whatsapp, falando: ‘Gravaram minha música sem autorização e ela tá no Youtube’, eu tiro agora do Youtube.

Eu não deixo o problema se tornar maior. E quando a editora não tem o jurídico a disposição e não faz isso, você dorme hoje e acorda amanhã com a música infratora com 1 milhão de acessos. E aí, como vai reverter esse problema?

Então, temos orgulho de ser uma editora que é rápida nas ações, nas resoluções dos conflitos. Com exceção das vezes que a gente tem que entrar na justiça.

Ganhamos um processo agora de jingle político sem autorização. De um candidato a deputado estadual da eleição retrasada. Foram mais de 8 anos o processo até concluir. Ganhamos em segunda instância. Já recebemos o valor.

Tentamos. Todo mundo dizia que jingle político era paródia e dissemos: ‘Não é paródia. Tem um fim comercial, que é: o político ganhar a eleição e com isso ganhar dinheiro.’ E conseguimos provar isso pro juiz.

Criamos um precedente importante. Sempre procuramos entrar com essas ações para criar jurisprudências para usar em novos processos. E esse foi um processo muito bacana que ganhamos, um valor bem alto.

E assim a gente vai fazendo sucesso no mercado das editoras. Conquistando coisas que as outras editoras deixam pra lá. Para nós, nunca está perdido. Quando está perdido, somos honestos em dizer pro compositor: ‘Esse processo você não vai ganhar’.”

 

Qual o maior desafio hoje?

“Temos muitos problemas hoje com produtores e empresários, que forçam compositores a editar em empresas específicas.

E a edição é uma coisa muito importante. Por exemplo, na edição você cede 25% da sua música para essa empresa. E a música passa a não mais só sua. É sua e da empresa. A empresa vira sua sócia na música.

Em decorrência disso, você não pode mais fazer nenhum liberação em relação a essa música. Essa música é dessa empresa. Isso não é importante?

Aí o artista ou o produtor vai lá e diz: ‘A gente só grava sua música se ela for editada pela editora X’. Aí você não conhece ninguém na editora X, e sua música fica lá, você cede 25% dela.

Aí vem a parte difícil pra mim. A editora X não faz a parte dela, e queima o mercado das editoras. Entendeu?

Porque ela só quer a arrecadação que aquela música vai gerar. Ela só quer os bônus. Ela não quer nos ônus. Aí é uma editora que não processa os artistas que gravam música sem autorização, uma editora que não processa os políticos que fazem jingle política sem autorização.

Uma editora que não tira as músicas sem autorização do Youtube e das plataformas digitais, dos sites de compartilhamento. É uma editora que só coloca sua música na base dela pra arrecadar 25% da execução nas rádios, nos shows e etc.

Isso não é ser editora. E temos um problema desse agora. Muitos artistas grandes ‘obrigam’ os compositores a editar na editora X, que não presta um trabalho de editora.

E a gente entende os compositores, porque as vezes o sonho dele era ser gravado por aquele artista. E tem alguns compositores da Rede Pura, por exemplo, que chegam lá e falam: ‘Bruna, eu vou precisar editar essa música lá, se não minha música não vai entrar no projeto. Você me perdoa?’

E o que eu vou falar, Ivan? Eu que sou uma pessoa que batalho tanto pelo direito autoral, batalho tanto pro compositor fazer sucesso, vou dizer pra ele ‘não vá’?

Eu só posso alertá-lo: ‘Vá. Mas sabendo que essa editora talvez não vai fazer o trabalho que deveria fazer por você.’

Então, meu maior desafio hoje é esse. Fazer os compositores entenderem que independente de qualquer coisa, se a música for boa, o artista VAI gravar. Estando na editora que ele pediu ou não.

Mas eles, com medo, quase sempre cedem as pressões e cedem a música deles para empresas que eles não conhecem a idoneidade.

O maior desafio pra mim é fazer os compositores entenderem que eles precisam conhecer a editora da qual eles estão cedendo as músicas. Precisam saber com quem eles falam, quem vai resolver os problemas, se tem jurídico a disposição, como vai ser feito os pagamentos.

O papel da editora é bem amplo, não é só encaminhas as músicas para os artistas. Tem todo um trabalho de dia-a-dia que algumas editoras, as vezes, não tem nem funcionário para cuidar de tudo isso.”

 

Quais os próximos passos com a Editora Rede Pura e com o canal do Youtube?

“Pretendo continuar com o canal. Tenho muitas pautas. Porque no começo, eu tinha os temas da minha cabeça. E agora, eu tenho as perguntas dos compositores, dos artistas e músicos.

Então, eu tenho ainda aí uns 20 vídeos para um tema. E no meio desses 20, surgem outros temas. Por exemplo, se eu gravar um vídeo essa semana e tiver muita divergência, muita dúvida, eu dou uma pausa no vídeo da semana que vem e respondo essas divergências em uma ‘perguntas e respostas’.

Por enquanto eu estou conseguindo responder o pessoal no canal. Mas vai chegar uma hora que eu não vou conseguir responder todo mundo. E se Deus quiser vai chegar essa hora..

Mas eu estou muito feliz. Temos 2 mil inscritos que são ESTRITAMENTE meu público. Isso é muito bom porque são pessoas que estão ali dispostas a assistirem um vídeo sobre direito autoral.

São inscritos reais e orgânicos. Fico muito feliz que nossa taxa de retenção é bem alta. Ou seja, a gente grava um vídeo de 8 minutos e eles assistem mais de 70%. Eu fico muito feliz com isso.

Entrevista Bruna Campos
A Bruna faz lives com perguntas & respostas para as maiores dúvidas dos compositores

Isso me mostra que as pessoas que estão assistindo querem se informar, querem aprender.

Logicamente, a gente quer monetizar, quer ganhar dinheiro com Youtube, quer ser youtuber (risos). Mas hoje eu estou muito feliz com o resultado que me dá e com o feedback, participação e engajamento de todo mundo no canal.

Os próximos passos, daqui pra frente: continuar gravando os videos, e eu espero viajar pelo Brasil fazendo workshops. Abri essa possibilidade no site da Rede Pura, para ir em busca de parceiros que façam eventos.

E que me levem para falar com os compositores nas suas cidades. Acho que esse é um próximo passo. Sair do Youtube e levar isso para vida real. Eu sonho em chegar numa cidade e encher uma sala com 100 compositores, artistas e músicos.

Todo mundo querendo entender como funciona o direito autoral. Estou trabalhando para isso. Porque hoje, para ser bem sincera pra você, o pessoal fala: ‘Vamo lá, vamo fazer…a gente quer se informar..’

Chego lá e tem 5 pessoas. Então, meu sonho é chegar lá e ter 100 pessoas, 200 pessoas. Porque se você olhar, quantos associados tem em cada entidade? É muita gente!

São mais de 100 mil em cada uma. Então por que quando a gente faz um evento, tem 5 pessoas? Tem alguma coisa errada aí.

Então, se eu conseguir plantar uma sementinha e fazer um evento com mais de 100, já tô no objetivo que eu almejo.”

 

Se fosse para dar 1 dica para músicos que estão começando, que dica seria essa?

“Eu diria: conheçam como funciona a arrecadação e distribuição dos seus direitos – é essa a dica.

E o que é conhecer? É estudar. Entender como funciona a distribuição e arrecadação do ECAD. Para parar de ficar falando besteira. E para exigir das pessoas certas. Isso que eu quero.

Não quero dizer que o ECAD é perfeito e que não tem de melhorar. Todas as entidades representativas de todas as classes, seja de um engenheiro, um arquiteto, um médico, precisam melhorar.

O mesmo vale para o ECAD. Mas, depende da gente entender como funciona, e cobrar certo. Porque, primeiro, se você não entender, como você vai cobrar?

Como você vai saber onde está o problema?

Porque às vezes, você tá esperando que vai viver de música e, tendo um panorama real de como funciona o mercado, você pode pensar com mais clareza se é isso que você quer. Para você não se decepcionar depois.

Uma mensagem que eu recebo muito no Facebook, que onde as pessoas abrem mais o coração, é: ‘Ah, eu estava desanimado. Entrei nesse mercado e fiquei muito tempo esperando e desanimei, desisti.’

Por que? Porque É difícil. Um grande compositor, para chegar no sucesso, fica 15 anos para estourar 1 música.

E na geração do Agora, que começa a tocar e já faz sucesso, também é esquecida mais rápido. Você não vê um artista, acho que com a exceção do Luan, que estoura uma música atrás da outra. Que acerta um DVD atrás do outro. Todo mundo fica esperando: e o próximo, como vai ser?

Então, muitos dos compositores tentam 1 ano serem gravados e depois desistem. Porque eles acham que 1 ano já foi muito de tentativa.

Quando você conhece o mercado e como funciona, você já entra consciente de que pode DEMORAR. Demora para as coisas acontecerem para você. E demorar quer dizer 5, 10, 20 anos.

Tem dupla como Jads & Jadson, que tá na estrada há 20 anos! Tentando fazer sucesso. Entende? Não foi da noite pro dia.

E depois que estouraram 1 música, foi duas, três, quatro…já estão com a quarta música nas paradas de sucesso. E aí vai embora!

E constrói toda uma vida em cima disso. Ajuda os pais, ajuda a família, melhora a vida. VIVE DE MÚSICA. Mas tem que ter um planejamento, tem que ter persistência. Porque não acontece da noite pro dia.

Então, para que isso se efetive, você precisa estudar. Conhecer o mercado que você tá entrando.

É igual fazer um vestibular, né Ivan?

Antes de escolher a profissão, o que seria o adequado? Estudar a respeito. Verificar como é o mercado de trabalho, se tem mercado para você, se vai conseguir atuar nessa área ou não. Não é assim que a pessoa faz para prestar vestibular?

Música é o mesmo jeito. Não pode entrar de cabeça assim: ‘Ah, todo mundo tá conseguindo fazer essas músicas, eu vou conseguir também’. Nem sempre!

Vamos fazer uma análise e aí tá, quer arriscar? Arrisca. Mas arrisca sabendo que pode demorar.

Essa é a dica que eu daria. Porque a ansiedade é uma coisa muito prejudicial para o seu talento, para sua criatividade. A ansiedade, às vezes, anula a criatividade de um artista.

Ele fica tão ansioso, tão ansioso, que a criatividade vai embora. Ele tem de estar tranquilo, com paz de espírito para conseguir fazer uma música. É ARTE!

Então, tem de ter paciência para chegar lá.

É isso. Esse conselho enorme de 5 minutos que eu daria…(risos)

Ivan, muito obrigada! Fique a vontade, obrigada pelo convite e um beijo!”

 

Que Aula!!! Obrigado Bruna, suas motivações são sinceras e isso é o que leva qualquer coisa além. Você merece todo sucesso na vida e nos negócios!

 

O que achou dessa entrevista? Qual trecho você mais gostou?

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