‘Falaê’, geral! Beleza? Vamos para a mixagem?

Se você e sua banda já terminaram a fase de captação dos instrumentos e vozes esse é o próximo passo. 

Você está preparado?

É bem pouco provável que você nunca tenha ouvido falar ma mixagem. Mas, o que ela é exatamente? O que se faz nessa fase?

Pode parecer uma pergunta boba. Mas, incrivelmente, não é todo mundo que consegue explicar do que se trata. Aliás, é bastante frequente que não se tenha nem uma ideia superficial do que é feito nela.

Não é Para Corrigir Erros!

Talvez por isso seja tão frequente o erro de se jogar para essa etapa coisas que deveriam ter sido feitas ou na pré-produção ou na captação.

E, pior que isso, achar que a mixagem serve para corrigir erros da fase da captação.

De cara é fundamental que você compreenda que uma mixagem ruim pode desgraçar qualquer gravação. Mas uma mixagem boa nem sempre é suficiente para salvar uma gravação ruim.

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Afinal, o que é?

O produtor musical Dennis Zasnicoff, em seu “Manual de Bolso da Produção Musical”, explica a respeito. Ele diz que “mixar nada mais é do que misturar. Esta etapa só deve começar quando todas as captações estiverem concluídas, editadas e compiladas.”

E ele prossegue: “Cada gravação foi registrada em uma trilha distinta no computador ou fita. Durante a mixagem, várias trilhas tocam ao mesmo tempo enquanto o técnico mistura a proporção (volume), a posição (esquerda, fundo, etc.) e os efeitos de cada uma delas, buscando clareza, impacto, interesse.”

Planos

O termo “planos”, em se tratando de mixagem, é a forma de expressar a localização de cada instrumento no contexto do arranjo, segundo o Manual de Produção de CD’s e Fitas Demo, de Marcelo Carvalho de Oliveira e Rodrigo de Castro Lopes.Por exemplo: o vocal principal em um plano mais “à frente” ou em “primeiro plano”, a harmonia em segundo “plano”, teclado ou guitarra solo em primeiro “plano”.

Bateria em terceiro “plano” e percussão em quarto “plano”.

Limpando o Som

É importante a compreensão disso porque o técnico organizará o material captado e gravado de modo que tudo soe balanceado, equilibrado em volumes, timbres e sem que um instrumento não fique “brigando” com outro. Ou seja, ele vai “limpar” o som.E fará isso da forma mais adequada à formação da banda, à proposta sonora e à quantidade de instrumentos usados no arranjo gravado.

Dennis Zasnicoff diz que “a grande lei da mixagem é que cada elemento precisa ter um propósito bem definido, para se evitar congestionamento de informações. Via de regra, menos é mais.”

Ele alerta que “nossa tendência é adicionar para enriquecer. Mas, retirar frequentemente é o melhor caminho quando se deseja criar variedade e interesse”.

Nesse contexto fica claro que quanto mais instrumentos mais “limpo” deve ser o arranjo de cada um deles.

E, principalmente, a execução desses arranjos pelos músicos quando da captação. E aqui fica evidente outra vez a importância de uma pré-produção adequada.

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Edição

Fonte audiofanzine.com

Com as ferramentas de edição de hoje é possível uma série de correções na afinação de instrumentos, vozes, andamentos.

Também pode levar aquela nota que foi tocada um pouquinho antes da hora para a posição correta, etc.

São várias possibilidades, os recursos são realmente muitos. Só que fazer isso exige tempo e paciência. E, como já dissemos tantas vezes, tempo num estúdio custa caro!

Mas o problema não termina no custo. Fazer mixagem é um trabalho detalhista e, por isso mesmo, mentalmente cansativo para se obter um áudio de qualidade.

Se além disso o técnico precisar se deter em correção de erros que foram cometidos porque a banda se apressou em gravar isso acaba por agravar o cansaço dele.

Fonte: imguol.com

Daí para uma queda na qualidade do resultado final é um pulo.

Por isso não me canso de repetir: faça a pré-produção SEM PRESSA!

Com isso você estará melhor preparado e, por consequência, cometerá menos erros. O que permitirá maior fluidez não só à captação como também à mixagem.

Bandas mal preparadas para gravar acabam por gastar mais, produzem menos e pior e o resultado é um só: insatisfação geral. Contenha a sua ansiedade. Resista à tentação que grita em seus ouvidos :”bora gravaaaaaar!!!”.

Gravar sim, mas só depois que todos estiverem muito bem preparados.

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O Técnico

Dennis Zasnicoff enfatiza a importância do técnico: “O técnico tem papel crucial no fluxo da mixagem.”

“Um profissional experiente conhece as linguagens do meio e pode se comunicar facilmente com artistas e produtor. A economia de tempo e esforço é grande, ainda mais se há domínio sobre os equipamentos.”

“Sua atenção deve estar voltada para os aspectos técnicos da produção, e não ao funcionamento de hardware e software. Há produtores que sempre trabalham com o mesmo técnico, pois reconhecem as vantagens de uma boa interação dentro da sala de controle.”

O técnico tem de ter grande capacidade de ouvir e trabalhar as partes individualmente, balanceá-las entre si e ao mesmo tempo tendo uma visão completa e equilibrada do todo.

Para mixar é necessário ouvir a mesma música dezenas (não raro centenas!) de vezes. Sempre com audição quase canina!

Timbres

Mais do que misturar e balancear os sons entre si, na mixagem equaliza-se as pistas e dá-se aquele “tapa” nos timbres.

Mais do que misturar e balancear os sons entre si, na mixagem equaliza-se as pistas. Nela o técnico “dá aquele tapa” nos timbres.

E, geralmente, volumes (níveis) e panoramas (esquerda-centro-direita), equalização, compressão, etc, passam por um processamento.

Para isso, utilizam-se os periféricos, processadores de sinal como reverbs, delays, chorus, flangers, limites, compressores, harmonizers, usa-se uma série de plug-ins.

O Produtor Musical

Se você e sua banda contrataram um produtor musical ele será muito útil na fase de mixagem justamente por ter participado da pré-produção e discutido os arranjos com o artista.

Ele conhece bem o ambiente de estúdio e entende (ou deveria entender) o que a banda deseja.

Por isso tem melhor vocabulário e familiaridade para juntar as duas pontas – estúdio e artista – de modo a extrair o melhor de cada uma delas em benefício da qualidade do trabalho.

Se por alguma razão você não trabalha com um produtor musical alguém da banda terá de ajudar o técnico ou engenheiro nessa etapa. Principalmente se a técnica de captação escolhida for a multitrack (ou por instrumentos, como preferir).

Isso porque, nesse último caso, ele simplesmente não conhece o todo do arranjo. E aí o guitarrista da banda, por exemplo, pode ter de explicar em que planos serão colocadas todas as “pistas” de guitarra.

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Mixagem em Grupo NÃO!

Dada a necessidade de objetividade no estúdio convém que durante a mixagem a banda não vá em peso ao estúdio pois, frequentemente, há opiniões divergentes. O ideal é que a banda escolha um dos componentes para isso.

E que o(s) escolhido(s) forneça(m) ao técnico ou engenheiro as sugestões do restante da banda. Inclusive músicas de artistas consagrados que possam servir de referência sonora.

Geralmente mixagens feitas na presença de mais de dois músicos da banda não costumam dar certo. Isso porque em geral músicos são muito vaidosos.

Todo mundo quer ouvir mais o seu instrumento, o que é natural. Ou, alguns têm medo de ser “traído” quando não estiver presente e que deem sumiço naquela maravilhosa escala cromática da guitarra.

Ou que “limem” justamente aquele trecho da linha de teclado que o tecladista aguarda a música quase inteira para tocar e/ou ouvir.

Em resumo, o ideal é a presença de um representante da banda, do engenheiro ou técnico do estúdio e, quando houver, do produtor musical.

Refazer a Captação?

Eventualmente pode ser sugerido à banda que um ou mais músicos retorne(m) ao estúdio para refazer(m) a captação de algum(s) instrumento.

Por pior que isso possa parecer, nem pense duas vezes: aceitem a sugestão e regravem o que for necessário. Essa é a última chance que terão de corrigir ou melhorar qualquer detalhe no trabalho.

Mas atenção: só não vá regravar tudo! Você tem um objetivo, um prazo e – principalmente – um orçamento.

Melhor um take espetacular, cheio de feeling mas com um pequeno erro do que outro com uma performance tecnicamente perfeita, mas sem tesão.

Naipes

Para que se possa organizar e obter balanceamento e equilíbrio entre os sons é comum que os técnicos e engenheiros dividam a instrumentação em naipes para equilibrar cada um deles em separado.

Geralmente se começa pela bateria, buscando o equilíbrio de todas as partes, tais como bumbo, caixa, contratempo e tambores (tons e surdos).

Além deles pode haver também acessórios de percussão que eventualmente o baterista utilize para efeitos.

O passo seguinte costuma ser o baixo, primeiramente equilibrando-o sem a bateria para checagem de timbres e depois equilibrando o baixo com ela.

A seguir, muitas vezes, é a percussão, cujo processo é o mesmo da bateria.

E aí vêm as bases da harmonia (guitarras, violões, teclados, metais, etc). Normalmente escolhe-se um instrumento para servir de base harmônica.

Os outros entrarão com o objetivo de ajudar a timbrar a música em função do primeiro.

A seguir vem os instrumentos de solo. Entenda-se por “solo” a voz principal, guitarra solo, teclado solo, metal solo, etc).

Pode-se separar os contracantos, que são melodias que dialogam com outros elementos do arranjo.

Por exemplo: naipes de sopros ou efeitos de teclados que entram em certas partes da música.

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Campo Estéreo (ou Panorama)

Fonte: e-cdn-hardware.com.br

Nessa etapa também se pensa no campo estéreo. É um espaço a ser organizado de forma que os sons não briguem entre si. Cria-se relações entre os diferentes sons, por estarem juntos ou separados.

Mas sempre deixando claro que há uma intensão em cada colocação. Coloca-se naipes diferentes em espaços próprios.

Por exemplo, pode-se configurar o campo estéreo de modo que soem mais “à esquerda” o tom 1, o piano, o chimbal, um crash.

Tom 2, caixa, voz principal, bumbo e baixo soando mais “ao centro” e tom 3, guitarra, prato de condução e pandeirola mais “à direita”. Sons com mais “reverb” soando mais longe e com menos soando mais perto.

Ouça Dissecando

Para que você possa perceber na prática com quais nuances a mixagem pode enriquecer a música aconselho que, sempre que possível, passe a ouvir música usando fones de ouvido.

Esqueça as caixinhas de som de seu PC ou notebook. Também não se ligue no alto-falante do seu smartphone.

Os fones de ouvido lhe darão uma percepção muito melhor de uma série de detalhes que, ouvindo de outra forma, você provavelmente não percebe.

No máximo sabe que o trabalho tem bom áudio, mas várias das nuances passarão despercebidas dada a baixa qualidade que caixinhas de som e alto-falantes de smartphones têm.

O objetivo é que você aprenda a identificar essas nuances nas músicas que ouve, entender como elas foram usadas e como funcionam no todo, fazendo com que o trabalho ganhe muita qualidade.

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Não Entendeu?

Então ponha bons fones de ouvido. Vamos examinar um dos clássicos do chamado rock/brasil para exemplificar em termos práticos como nuances como essas podem ajudar no resultado final.

Falo da música de trabalho de um dos três álbuns mais icônicos do pop/rock nacional, o “Selvagem?”, d’Os Paralamas do Sucesso. O trabalho está completando 30 anos de lançamento. A música chama-se “Alagados”.

Liminha, o produtor musical daquele álbum, bolou uma entrada agressiva com teclados uma frase curta tocada duas vezes até o quarto compasso.

Ela dá ao ouvinte a impressão de que a música seguirá por um determinado caminho. Até que repentinamente entra uma guitarra em levada afro criada por Herbert Vianna.

Ambos em primeiro plano, primeiro o teclado e depois a guitarra afro em sequência, e em segundo plano uma levada do chimbal, também numa condução afro.

O baixo entra inicialmente repetindo duas frases de cinco notas. Elas vão aumentando de número enquanto a guitarra é duetada.

Mais Densidade

E o arranjo vai ganhando densidade até que as guitarras e uma virada de bateria indo de um canal para o outro “entregam” a levada para o groove contagiante de Bi Ribeiro (baixo) e a e João Barone (bateria) com a voz em primeiro plano, cozinha em segundo plano.Em terceiro plano entra mais uma sacada de Liminha: uma discreta base de guitarra flanger no canal esquerdo, que segue até que mais adiante entra uma outra guitarra (meio distorcida) também no canal esquerdo, tocada por Herbert Vianna.

Elas seguem assim até o solo de guitarra feito também por Herbert, usando duas guitarras cujas linhas “se entrelaçam” lindamente. Certeiro!

Há nos planos “mais atrás” levadas de percussão eletrônica que entram, hora num canal, hora noutro. As viradas da bateria de João Barone receberam o efeito pan, começando num canal e terminando noutro.

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Sacou?

Quantas possibilidades oferece a mixagem, não? E foi só um exemplo. Comece a pensar nessas possibilidades desde a pré-produção para não perder tempo no estúdio perdido em meio a tantas opções.

Esse exemplo mostra também como um produtor musical pode enriquecer um trabalho e ajudar o artista nessa fase.

Já que, por ter maior vivência em gravações que a grande maioria dos artistas, conhece melhor essas possibilidades e pode indicar as opções mais interessantes para destacar as melhores características do trabalho e dar-lhe um padrão de qualidade no nível de mercado.

Reverbs, Delays, Graves e Agudos

Há diversas gradações entre esquerda e direita, assim como na quantidade de reverb.

Por tudo isso é muito conveniente que o produtor musical ou o representante escolhido pela banda tenha uma “imagem mental” clara da “sala” onde os instrumentos serão distribuídos pela mixagem.

Em estúdios mais bem aparelhados o melhor reverb é utilizado somente com o instrumento solista, em boa parte das vezes a voz.

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Sendo possível use uma “sala” diferente para cada naipe, pois isso evita a saturação sonora de seus ambientes e dá maior definição e inteligibilidade à mixagem.

Pode-se também criar outro ambiente com a utilização de delay, que é um efeito particularmente interessante no caso de sons melódicos com função própria sem ser parte de nenhum naipe, como por exemplo, solos e contracantos.

Graves e Agudos

Fonte: docplayer.com.br

Atenção para os graves. Quando bem gravados e definidos dão peso e corpo à sua gravação.

Atenção também para os agudos. Quando bem e definidos dão “transparência”, ajudam a tornar o som mais “cristalino” e “brilhante” ao resultado final (definição de planos e ambientes).

Finalizando

É claro que o técnico ou engenheiro de mixagem sabe de tudo isso. Você certamente não terá de conhecer a fundo essas nuances. O nosso objetivo aqui é ajudar você a entender a dinâmica do processo de mixagem, o que lhe permitirá compreender não só o trabalho do estúdio como as necessidades e possibilidades que a mixagem oferece. Tendo um melhor vislumbre da mixagem agora você com certeza poderá se planejar e preparar melhor para essa fase.

Até a próxima!

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