‘Falaê’, geral! Beleza? E aí, ‘bora’ continuar falando sobre seus shows?

Então ‘bora’ ao que interessa!

Cenário e Figurino

Há lugares em você e sua banda terão de tocar no palco do jeito que a casa o preparou. Encare isso na boa e faça o melhor para que as coisas funcionem bem com os meios que a casa lhe oferecer.

Claro, desde que você ache que vale à pena tocar nessa casa. Há lugares – e não são poucos – em que definitivamente não vale à pena.

Mas sempre que for possível use ao menos um banner com a logo de sua banda. Convém que além disso você pense em usar algo que possa ajudar a criar uma atmosfera interessante.

Por exemplo: experimente usar tecidos para fixa-los ao fundo do palco. Eles são leves, de fácil transporte e limpeza e têm baixo custo de aquisição.

Luzes com cores diferentes podem criar um clima interessante. Não são necessárias muitas luzes, nem muito tecido. Basta usar a criatividade. Se a apresentação for no formato acústico algumas almofadas e abajures ajudam.

Uma máquina de fumaça (gelo-seco) sozinha já cria efeitos interessantes. Se utilizada em conjunto com lâmpadas também podem criar efeitos bem legais.

Lojas de antiguidades costumam ter itens que, se usados com criatividade e imaginação, podem também enriquecer o cenário.

Sem Exageros!

Mas, cuidado com os exageros! Não vá se entusiasmar e “poluir” o visual do palco.

Para se pensar no cenário é preciso levar em conta o tamanho do palco e a capacidade da casa.

Quanto ao figurino, vale a criatividade. As roupas devem ser coerentes com a proposta sonora e com a imagem que se pretende passar ao público.

Mas, aqui também vale a velha máxima: evite clichês. Exemplo: roqueiro de preto com a camisa de sua banda favorita. Se você é um, considere usar preto como cor predominante, mas não única. Você pode usar acessórios de outras cores que não a preta.

Set-List

Você e sua banda precisam montar um repertório. Se o trabalho de vocês é focado em música autoral convém também incluir covers nele.

Pense em colocar entre 30% e 50% de covers no repertório. Use essa mesma proporção no set-list.

O ideal é ter um repertório base ensaiado. E a partir dele montar o set-list levando em consideração o tipo de público para quem a banda se apresentará e a duração prevista para o show.

Encaixar uma ou outra música de improviso no show é aceitável e, algumas vezes, até bem vindo. Desde que a vibe esteja permita e o dono da casa seja flexível. Construir o set-list e não respeitá-lo pode ser perigoso.

Mas, lembre-se: em boa parte das vezes em que você for se apresentar provavelmente não será a única atração da noite.

Respeite o cronograma e os artistas que subirão ao palco depois de você. Não os faça se atrasarem!

Considere enxertar apenas parte de alguma música que julgue conveniente acrescentar ao set-list previsto.

Seus Shows com Gosto de QUERO MAIS!

Isso, além de não gerar atraso, deixa um gostinho de “quero mais” na plateia e passa ao contratante a sensação de que você e sua banda têm mais “bala na agulha” para mostrar.

Em se tratando de música popular um bom parâmetro para a montagem do set-list é pensar em entre três e quatro minutos por música como referência.

Digamos que a casa queira que a banda toque por 1 hora. Nesse caso o set-list para essa apresentação deverá ter entre 15 e 20 músicas. Aí é bastante conveniente preparar o set com 18 músicas e mais 2 ou 3 para deixar “na manga”.

Não É Só Pra Passar as Músicas

Nada mais amador que uma banda que sobe ao palco, começa o show, toca uma música e para. Toca outra e para. Mais uma e para…

Um show não é apenas passar as músicas em sequência. Shows devem ser bem mais que isso.

Um recurso muito interessante para deixar seu show irado é montar blocos! Que tal iniciar os shows com um de três ou quatro músicas coladas uma à outra? Use “pontes” para ligá-las.

Pontes são arranjos de alguns segundos que se pode usar para ligar o final de uma música com o início de outra. Pode ser, por exemplo, uma simples divisão. Ou uma virada, uma convenção…, ou mesmo um teminha rápido entre duas músicas.

Num set-list de shows com 18 musicas, por exemplo, costuma funcionar bem ter quatro blocos com entre 2 e 4 músicas cada.

Claro, tanto o número de blocos quanto a quantidade de músicas que cada um terá fica a critério do artista. Mas essa é uma boa referência.

Elesão muito úteis para fazer o show “embalar”, porque a banda toca sem parar durante dez, quinze minutos.

Evite Clichês em Seus Shows

Tenha o cuidado de não abusar dos clichês (reparou que sempre alertamos sobre eles?). Especialmente se sua banda for autoral.

Usar covers é ótimo para embalar shows. Mas não caia na armadilha de ser mais uma banda de rock a tocar musicas manjadonas tipo “Beth Balanço”, “Que País É Esse” e “Smoke On The Water”, por exemplo.

Essas músicas são ótimas, tornaram-se clássicos exatamente por isso. O problema é que quase toda banda de rock toca músicas com essa característica.

Com isso acaba sendo frequente uma banda descer do palco e outra subir, mas o som continuar o mesmo. Aí é como repetir uma piada.

Destaque seus Shows dos Demais

Quer destacar sua banda? Procure trabalhar ou com versões desses clássicos mais manjadões, ou com músicas não tão batidas, mas que fizeram ou fazem tanto sucesso quanto.

Mas, cuidado! Versões de clássicos são como faca de dois gumes. Você vai ter de caprichar muito na releitura.

Mas, mesmo assim, corre o risco de ser vaiado por algum fã da banda que consagrou a tal música porque o cara quer ouvir “igualzinho ao original”. Por isso, não abuse de versões. Uma ou duas por set-list são diminuem muito o risco de quebrar a “vibe” do show.

Pout-Pourri

Outra opção é usar essas músicas mais manjadonas para fazer um pout-pourri, que consiste em emendar trechos de várias músicas.

Além de você atender aos que gostariam de ouvi-las mesmo que a banda que tocou antes da sua já a tenha tocado, não dá tempo para o público respirar. Antes que comece a acomodar-se numa música a banda já entra na ponte e começa a seguinte.

E aí é uma ‘porrada’ atrás da outra. Uma sequência de petardos que costuma ser certeiro. Se você usar um pot-pourri após a parte mais “na manha” do show pode ser muito útil para melhorar a dinâmica das suas apresentações.

Dinâmica

Da mesma forma que uma música precisa ter dinâmica, alternando partes que sejam mais tensas e densas com outras mais tranquilas e limpas, um show funcionará muito melhor se você tiver o cuidado de planejar isso na montagem do set-list.

Em se tratando show de música popular, em especial rock e pop/rock, geralmente o melhor jeito de começar é “metendo o pé na porta”.

Posicione os blocos de músicas de modo que a abertura do show seja com toda a energia, o miolo seja a parte mais contida, com músicas mais lentas, e tal. E o final do show seja também carregado de energia e vibração.

O lance aqui é não prolongar nem as partes mais enérgicas, nem as partes mais tranquilas.

Performance

Definitivamente o palco não é lugar para timidez. Solte-se! Num show uma boa performance tem o poder de magnetizar as pessoas.

Preencha os intervalos entre os blocos com interação com o público. Mas procure não se alongar. Especialmente na fase inicial do show. Três ou quatro frases e o som tem de voltar a rolar.

É a hora de corrigir eventuais desafinações de instrumento tomar água…, programe-se ao longo da apresentação para não ter de interromper um bloco no meio para acertar a afinação da guitarra, por exemplo.

Seja breve entre os blocos/músicas. Não deixe espaços vazios mesmo quando não estiverem tocando. Chame o público. Mantenha o fio estendido. Converse com a plateia, brinque, faça comentários positivos, brinque.

Mas -de novo – seja breve! Procure usar esses papos com o público para já chamar o próximo bloco. Combine e ensaie as “deixas” com a sua banda.

Pode-se usar esse trunfo colocando alguns solos ( outra vez alerto: cuidado com o exagero!) em música em que os arranjos originais não os incluem. Em algumas músicas, especialmente nos finais dos blocos, pode-se esticar um pouco (atenção: eu disse UM POUCO!) os solos.

A Bateria

O baterista pode criar tribais (levadas usando os tons e o surdo) para abrir alguns blocos ou como pontes entre algumas músicas.

Solos de bateria podem ser muito úteis. Mas atenção! A bateria é um instrumento que pode cansar muito rapidamente o ouvinte quando tocada sozinha. Lembre-se disso antes de pensar em solar.

Ao invés de fazer um solo de um minuto, que tal fazer dois de trinta segundos em momentos diferentes do show?
Duas dicas aos baterista:

– explore grooves! Solos que permitem que as pessoas possam “bater os pés” acompanhando o ritmo costumam exercer um efeito muito bom no público;
– use e abuse de dinâmicas nos solos. Alternar momentos mais explosivos com outros em que se mostra apenas sutilezas são infalíveis para você quebrar tudo e por a casa abaixo.

Duelos

Duelos entre os instrumentos também podem ser muito divertidos para o público.

Estamos falando de show de música popular. Então, convém não complicar. Solos curtos para cada desafiante do duelo ou desafio caem muito melhor que solos mais longos. Anda mais no contexto de um duelo, onde os músicos alternam vários solos.

O que dificilmente dá certo é dois ou mais instrumentos solando ao mesmo tempo em se tratando de música popular, embora haja exceções.

Apresente os Músicos

Parece óbvio dizer para apresentar os músicos. Mas é surpreendente a quantidade de bandas cujos vocalistas simplesmente se esquecem de fazer isso!

O momento de apresenta-los fica a critério dos artistas. Geralmente faz-se isso do meio para o final do show. Ou na última música, por exemplo. Ou, que tal fazer isso na primeira música do último bloco?

Mais maneiro do que simplesmente dizer quem toca o que é fazer da apresentação dos músicos um dos momentos mais legais do show.

E aí a criatividade manda. E se vocês combinarem de cada um solar na medida em que são apresentados? Solos curtos, é claro.

Ou, o vocalista apresentar os músicos aos poucos, ao final de músicas onde o cada um dos instrumentos se destaca. Se for a bateria, apresente o batera. Se for o baixista, aponte para o cara, faça uma reverência e diga o nome dele…

Há várias possibilidades de se fazer isso. Mas, não deixe de apresentar os músicos da sua banda.

Quer Respeito?

Demonstre respeito para com o contratante e o público. Não se atrase, não se embriague nem antes nem durante o show. Menos ainda suba ao palco doidão de entorpecentes.

Se você quer ser levado a sério, se quer o respeito de público e de contratantes precisa entender que esse lance de “roqueiro doidão” só funciona quando o sujeito já é famoso.

Aí ele pode até faturar com mais atenção da mídia, gerar manchetes com polêmicas e aparições sob efeito de drogas e/ou álcool.

Não tenho a pretensão de dizer aqui se você deve ou não fazer uso desse tipo de coisa. A escolha é sua.

Mas saiba que não terá o respeito que pretende se preferir apresentar-se “chapado”. Ou se mesmo após a sua apresentação começar a pagar mico por estar doidaço de álcool ou entorpecente.

Se liga, mano! A escolha é sua. Arque com as consequências e não reclame se elas não lhe forem agradáveis.

Faça Sempre o seu Melhor nos Seus Shows

Você e sua banda capricharam na preparação, tudo em ponto de bala, aquela expectativa e, por algum motivo, a casa onde vai rolar o som está quase vazia.

Que brochante, né? A motivação despenca.

Mas você, como bom profissional que é, não pode se deixar abater. Toque para essas poucas pessoas como se não houvesse amanhã.

Você nunca sabe que consequências essa atitude pode ter. Mas, quaisquer que sejam elas, sempre serão favoráveis.
Na pior das hipóteses será uma ótima oportunidade de ensaiar in loco. Mas nunca é apenas isso. Não se esqueça que, já que a casa está com pouco público, o contratante terá mais tempo para prestar atenção no que você e sua banda fizerem.

E se sentirá muito mais prestigiado se vocês tocarem como se não houvesse amanhã.

E o mais importante: é isso que vai valorizar todo o seu corre para estar ali. Pense nisso…

Uma História Real

Certa vez o RPM, ainda em começo de carreira, conseguiu uma apresentação em uma conhecida casa de shows no Rio de Janeiro.

Paulo Ricardo conta que eles ficaram um bocado decepcionados porque o lugar estava quase vazio.

Mas, assim mesmo, a banda tocou com todo o gás. E quem estava lá entre os poucos presentes? Um crítico musical do extinto Jornal do Brasil, na época umas maiores e mais respeitadas publicações diárias do país.

Esse jornalista rasgou elogios ao RPM em sua coluna, chegando a dizer “azar de quem não estava lá para ver”. E essa matéria acabou gerando grande expectativa e receptividade pelo trabalho da banda, inovador no contexto do rock nacional.

Ok, é bem provável que você não tenha a sorte de alguém tão influente ver o seu show. Mas, vai que a sorte resolva lhe sorrir…, você está preparado para ela?

Um grande gerente que tive na época em que trabalhei com comércio me ensinou algo de que jamais esqueço: “A sorte só sorri para quem merece. Trabalhe duro e esteja preparado!”

Faça shows insanos e o público vai lhe recompensar em dobro!

Um abraço a todos, e até a próxima!

Marketing Produção