Você está pensando em comprar curtidas para sua fanpage no Facebook? Ou comprar views no Youtube para os seu videoclipe? Followers no Instagram? Spotify? Acha que pode dar UP na carreira comprando likes?

Essa prática de ficar comprando likes, logo de início, pode parecer um bom negócio. Números altos é uma excelente prova social, capaz de impressionar público, imprensa e contratantes. Parece ser bom no seu desafio de viver de música

Se você fizer buscas na internet, não vai ser difícil encontrar várias empresas que prometem entregar a você curtidas, visualizações e seguidores. Os preços são acessíveis. Fazem você acreditar que vale a pena.

“Certo. Vou pagar um valor acessível e vou ter números expressivos para mostrar para o meu público, imprensa e contratantes. Então qual é o problema?”

Infringir as regras e políticas da plataforma comprando likes, podem ocasionar penalidades, banimentos, perda de monetização, alcance orgânico, impossibilidade de analisar dados reais do público, dados falsos… sim, tudo isso e até mais.

Continue lendo este artigo se você:

  • está pensando em comprar curtidas, visualizações, seguidores etc;
  • NÃO quer ser penalizado das plataformas onde seu público está;
  • NÃO quer quebrar com o marketing da sua banda; 

Por quê você está comprando Likes?

No livro “Invisible Influence” de Jonah Berger, menciona-se um experimento interessante feito com adolescentes. Alguns pesquisadores pegaram voluntários adolescentes e separaram em dois grupos.

O primeiro grupo era exposto à uma série de músicas em uma playlist, sem nenhuma informação sobre elas. O objetivo era escolher as músicas que mais gostavam e baixar no dispositivo.

O segundo grupo faria a mesma coisa. Porém, no caso deles, as músicas tinham um dado de número de downloads ao lado da música no dispositivo.

Esse experimento foi conduzido para entender o quanto a influência social (no caso, o número de downloads) influenciava uma decisão.

75% dos adolescentes do segundo grupo, baixaram as mesmas músicas. No caso, as que tinham maior número de downloads, dizendo que eram as suas prediletas da playlist. Inconscientemente, foram influenciados pela prova social do número de downloads, assumindo que número maior de downloads = bom.

O mais interessante, é que o primeiro grupo de adolescentes escolheu as que realmente lhe agradavam mais, o que fez com que apenas 17% das escolhas se assemelha-se.

Prova Social

Não é difícil arranjar motivos para você pensar em comprar audiência para te ajudar a viver de música. Números expressivos causam curiosidade. Se colocarem para você escolher um vídeo com 1.237 visualizações e outro com 2.378.000 visualizações, a curiosidade em ver o segundo é muito maior.

Números altos também conferem o que chamamos de prova social, afinal, se tantas pessoas estão assistindo a um vídeo ou comprando um determinado produto, eu também quero fazer parte disso.

Imagina que você está procurando uma loja para comprar seu instrumento musical. O valor de uma loja para outra são semelhantes, mas uma dessas lojas possui uma fanpage no Facebook com 38.789 curtidas e outra apenas 1.505. Qual você escolhe?

Possuir números expressivos pode lhe dar status e também poder de influenciar pessoas. Marcas adoram isso.

E não existe nada de errado em ter como objetivo 10 mil, 100 mil ou 1 milhão de visualizações em seus vídeos.

Quebrando as Regras

Você lembra da primeira vez que criou uma conta no Facebook, Google ou outra plataforma? Você inseriu seu e-mail, dados pessoais, senha e antes de clicar em “criar conta” você teve que clicar em um caixa, onde estava escrito algo parecido com:

“Ao clicar em Cadastre-se, você concorda com nossos Termos e que você leu nossa Política de Dados, incluindo Uso de Cookies”.

Nós da Gestão de Bandas também temos isso. Significa que para você usufruir das funcionalidades daquela plataforma, você precisa seguir regras. Simples.

Algoritmos

Ficar clicando no seu vídeo do Youtube para gerar visualizações, estando logado na conta oficial do vídeo, pode ser uma justificativa para o Youtube encerrar a monetização do seu canal. Irreversível. Pois é. Sem falar na possibilidade dele excluir o seu canal.

No Facebook não é muito diferente. Antes de chegar ao extremo de suspender ou excluir sua fanpage, o próprio algoritmo do Facebook irá lhe penalizar. Comprando likes, sua página vai apresentar um incremento no número de fãs que não será acompanhado pelo engajamento.

O resultado disso será uma queda vertiginosa do seu alcance orgânico de publicação da sua banda. Como essa base de fãs construída comprando likes não possui empatia em relação ao conteúdo publicado na página, é de se esperar feedbacks negativos na página, como ocultação de publicações ou denúncias como spam seja alto.

Se você colocar sua música para rodar de forma contínua no Spotify, com a intenção de aumentar o número de audições, e se for identificado que é o artista que está fazendo isso, eles vão excluir a música da plataforma. Se repetir com mais uma música, cai o artista todo.

Isso é o chamado heavy rotation. Quando uma música é executada muitas vezes no dia pelo mesmo IP.

Sem falar que na maioria dos casos, fica muito fácil de perceber que o artista ou banda comprou visualizações, curtidas ou seguidores. Do dia pra noite o clipe do músico ganha 50 mil visualizações. E depois para de crescer, tem poucas curtidas e poucos inscritos.

Você pode até se enganar: “mas meu público nem vai perceber!”. É bem provável que não perceba mesmo. Mas, marcas que dependem de artistas e investidores percebem isso. Uma banda regional que canta em português com vários seguidores asiáticos é muito estranho.

Quebrando o Marketing do seu Projeto Musical em 3, 2, 1…

O marketing é necessário para chamar atenção e desenvolver a demanda para o que você criou. Para que o marketing da sua banda tenha sucesso, é preciso identificar o comportamento do seu público e criar uma similaridade com ele.

Quantos anos, onde vive, onde costuma sair, onde escuta música, como se veste, onde estuda, onde trabalha, mora com quem, gasta com que, viaja para onde, quais outras artes ele gosta etc.

Quando você introduzir curtidas, visualizações e seguidores que nada tem relação ao seu projeto, ficará impossível entender quem é realmente o seu público (persona).

Todos os dados de geração de audiência orgânica, natural, ficará perdida. Você terá em mãos diversas informações que basicamente, não valem pra nada.

Além disso, acaba totalmente com a possibilidade de você conseguir uma marca para patrocinar o seu projeto musical. Uma das formas de geração de valor que o artista pode criar é como agregador de audiência. 

Lembre-se que marketing não é só sair anunciando a sua música. É um processo que envolve planejamento, pesquisa, personalização e precisão. Se quiser viver de música, precisa estar atento a isso.

Imagine então quando você finalmente encontrar um sócio para o empreendimento musical. É ele quem vai ter que lidar com essa bagunça. Se ele perceber que você saiu comprando likes, pelo simples fato de não entender o seu público, ele vai cair fora.

Eu cairia fora, de novo.

Marketing